quinta-feira, 31 de outubro de 2019

APRENDIZAGEM DO TROMBONE ALTO

Por: Will Kimball 
Professor de Trombone na Universidade Brigham Young.

Tradução: Idalmo Santos
Mestrando em Música e Cultura pela UFMG


Extraído da minha própria experiência de tocar, pesquisar e por 17 anos de ensino universitário em tempo integral, aqui estão algumas sugestões para aprender o trombone alto.


1) Conceito de som - Desenvolver um bom conceito de som para o trombone alto é importante desde o início.

A) Mais brilhante: Na minha opinião, o som do trombone alto deveria ser mais trompetista do que o som do trombone tenor. O som será mais brilhante - não lute contra ele! Pense na diferença entre trombone alto e trombone tenor como semelhante à diferença entre trompete e trompete piccolo. Na minha experiência, os alunos que têm mais dificuldade em estabelecer seu som no trombone alto são os que lutam mais duro para fazer o som do alto como um tenor de grande porte!

B) Lighter: Passar de tenor para alto requer uma abordagem mais leve, que deve incluir menos articulação, ligeiramente menos ar e um toque geralmente mais leve. Fino, não músculo!

C) Gravações: Ouvir gravações de trombone alto ajudará a estabelecer este novo conceito sonoro. Meu músico favorito é Alain Trudel. Há muitos outros grandes também; praticamente todos os melhores trombonistas de tenor do mundo têm gravado tanto no alto quanto no tenor.

2) Familiaridade Inicial - Quando ensino trombone alto, geralmente recomendo que os alunos tomem alguns dias apenas para se familiarizarem com o instrumento. Algumas sugestões para esta fase inicial:

A) Harmônicos e flexibilidades labiais padrão
B) Escalas lentas
C) Estudos Familiares
D) Melodias de ouvido

3) Leitura - Um dos maiores obstáculos iniciais na aprendizagem do trombone alto é simplesmente aprender a ler música com um novo conjunto de posições. Abaixo estão algumas sugestões para começar:


B) Aproximação de imersão: Algumas pessoas gostam de saltar direto para dentro. Usando seu gráfico de posição e um pouco de tentativa e erro, entre e trabalhe seu solo ou trecho de escolha.

C) Abordagem metódica: Outros que querem uma abordagem mais ampla e metódica podem querer considerar um livro de métodos. Existem vários bons livros, incluindo métodos de Anderson, Harvey, Parow, Slokar e Sluchin. Em termos de apenas aprender a ler, o método Slokar (Método Complete de Trombone Alto) é o mais deliberado. Ele estabelece um programa de duas semanas de exercícios (especificados por dia) projetados para dar a um estudante um conhecimento básico de trabalho das posições no trombone alto. É um pouco entediante, mas eu tive algum sucesso usando-o com os alunos.

D) Experiência: Obviamente, quanto mais você tocar música, melhor você vai conseguir lê-la. Tocar solos, excertos, estudos, duetos, partes de coro de trombone, etc. - tudo o que conseguir arranjar. Vários livros de métodos estão disponíveis que contêm uma boa concentração deste material.

4) Entonação - é um dos maiores desafios em tocar trombone alto. Eu recomendo encarar isso de frente desde o início. Algumas ideias:

A) Escalas lentas com metrônomo: Trabalhe em escalas lentas, de 2 oitavas com um metrônomo. Seu objetivo é obter o ataque inicial de cada nota dentro de uma pequena parcela de perfeito.

B) Duetos: Tocar duetos de alto e tenor com um amigo de tenor com “pés firmes”. Tocar lentamente e realmente se concentrar na afinação. Certifique-se de que você está ajustando para afinar com o tenor, não o contrário. Os livros do método de Benny Sluchin (Material de Estudo para o Trombone Alto) têm alguns duetos; o Livro 1 tem alguns duetos muito básicos, o Livro 2 tem 10 duetos de Mozart, e o Livro 4 consiste exclusivamente em duetos. Eu toco bastante duetos com os alunos quando ensino trombone alto; como mencionei acima, é também uma boa prática de leitura.

C) CD do Colley TuneUp: Stephen Colley tem um conjunto bastante extenso de exercícios de afinação que são ótimos para trabalhar em entonação no trombone alto. Com alguns deles, você afina intervalos contra um drone; com outros, você trabalha na afinação de membros de acordes específicos contra um acorde perfeitamente afinado. Embora eles são um pouco baixos e eles são notados em clave de fá, eles ainda funcionam bem para o trombone alto.

5) Literatura - É provável que você já tenha alguma ideia do que gostaria de aprender no trombone alto. No entanto, caso você não tenha, aqui estão algumas sugestões para começar (estou assumindo que pelo menos uma graduação universitária avançada).

A) Solo: Concerto Albrechtsberger. Tonalidade amigável para trombone alto, grande peça, importante na literatura.

B) Excertos: Schumann Symphony No. 3, Beethoven Symphony No. 5, Mozart Requiem (parte superior). Algumas das principais razões para usar o trombone alto na orquestra!

6) Divirta-se! Desfrute da luz, do som claro, da literatura adicional e da experiência de aprender algo novo!

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Resenha - Ensino instrumental enquanto ensino de música.

SWANWICK, Keith. (1994). Ensino instrumental enquanto ensino de música. Trad. de Fausto Borém; rev. de Maria Betânia Parizzi. Cadernos de Estudo: Educação Musical. São Paulo: Atravez, p.7-14.

O texto de Swanwick aborda o ensino de instrumento de um ponto de vista mais pautado na educação musical. O autor descreve aspectos da aula instrumental, que considera importantes, com base na sua experiência como docente, pesquisador e músico, seja trabalho individual ou coletivo, fazendo críticas e sugestões. A proposta do texto é que as aulas de instrumento podem ser mais musicais e que os trabalhos em grupo podem proporcionar um desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas necessárias ao fazer musical.
Para obter uma boa compreensão do texto não são necessários conhecimentos técnicos ou científicos, qualquer músico/professor ou estudante de música, ao ler as primeiras linhas do trabalho, vai identificar os dizeres do autor com características da sua própria experiência. A linguagem usada para tratar do tema é de fácil compreensão para leitores envolvidos no campo da música. Por estas características, Swanwick conseguiu abordar o assunto de forma agradável e interessante, o que torna a leitura suave.
O trabalho é organizado em subtítulos que definem bem cada parte do texto. As partes que compõem o artigo são: Interação em grupo, Leitura rigorosa ou Liberdade de interpretação, O ouvido interno e O quarto dedo na corda lá. Antes de começar estes subtítulos o autor faz uma introdução ao assunto e aborda, sob sua perspectiva, características do ensino individual de instrumento. Ao final, Swanwick propõe 3 regras gerais para o ensino instrumental.
A leitura do texto pode ser especialmente útil para professores de instrumentos musicais de todos os níveis de ensino. Estudantes e pesquisadores de música também podem considerar importantes as informações e conceitos discutidos no trabalho. Swanwick é, sem dúvida um grande influenciador no campo da educação musical e seu texto pode contribuir com trabalhos futuros.
Swanwick é um dos pesquisadores e autores mais influentes no campo da educação musical de nosso tempo. Sua teoria espiral que descreve a aprendizagem da música por etapas, semelhantes ao esquema de desenvolvimento de Piajet, influenciou diversos trabalhos acadêmicos. Talvez sua obra mais importante seja o modelo CLASP (composition, literature, audition, skill e performance), que foi traduzido por estudiosos brasileiros como TECLA (técnica, execução, composição, literatura e audição). Este modelo é baseado na prática, na vivência musical e resume as ideias de educação musical do autor.
O autor se baseia essencialmente em sua própria vivência e em relatos de outros profissionais para construir seu texto intitulado “Ensino instrumental enquanto ensino de música.”. O trabalho mantém o foco e a objetividade do início ao fim. As ideias discutidas são boas fontes a qualquer pesquisa na área da educação musical, sobretudo às que se aventuram na temática do ensino instrumental. Um destaque especial às ideias do autor sobre o ensino coletivo ou prática de grupo instrumental, suas colocações condizem com a realidade desta modalidade de atividade.

Idalmo Jonatan Castro Santos
Acadêmico do curso de pós-graduação em Educação Musical da Universidade Cândido Mendes (UCAM)







quarta-feira, 21 de junho de 2017

Bocal 5GS da Bach - Minhas impressões

Atualmente estou usando um bocal 5GS  Vicent Bach. No trombone de calibre largo já usei bocais 6 1/2, 4G, 6 1/2 da Houston e até um bocal "caseiro" feito por um ex professor. Ainda é demasiado cedo (mais ou menos 1 mês) para afirmar que finalmente encontrei o meu tamanho ideal de bocal. 


Minha rotina varia de leve, intermediária a pesada. Sou professor do Conservatório de Música de São João Del Rei MG e no dia em que estão concentradas a maioria das minhas aulas de trombone é, consequentemente, o dia em que mais tenho que tocar. Acredito muito na importância de tocar junto ao aluno, principalmente com os iniciantes. Tenho percebido uma melhora significativa no meu desempenho neste dia. Era comum terminar o dia (lá pelas 22:30 da noite) sem conseguir tocar nada direito devido ao cansaço e estrese muscular. Depois do novo bocal, tenho chegado com a embocadura mais resistente no fim do dia.

Mas não é só a resistência que mudou. Notei mais conforto. Um equilíbrio melhor na sonoridade quando comparo meu som nas diferentes regiões (graves, médios e agudos). Essas mudanças tem feito a diferença ao longo da minha semana. Dou aula de trombone, tenho ensaios, gravações, toco com orquestra, toco com big band, trio metal, banda de música, quartetos, duetos etc. O repertório vai do choro ao concerto. Com essa variedade de exigências técnicas e interpretativas estou sentindo que este bocal está me atendendo bem em todas as situações.

As vezes o problema não é o bocal e sim a peça que fica antes dele. Me refiro a embocadura e ao trombonista. Na busca por melhores resultados muitos músicos esquecem de conferir a peça principal do trombone, o trombonista. Você está estudando com regularidade? Já se deu tempo o suficiente para ter bons resultados com o bocal? Você tem boas referências? Um professor te auxilia nos estudos? Recomendo pelo menos 3 meses de bons exercícios, apresentações e rotinas de estudos com o mesmo bocal antes de pensar em trocar. A escolha deve levar em conta o conforto, a sua anatomia, o desempenho em todas as regiões e até a sonoridade que você precisa no seu dia a dia de acordo com os estilos musicais e grupos que você atua.

E aí você me pergunta: Você recomenda esse bocal? E a resposta é: Sim, eu recomendo. Primeiro por que a Bach é muito experiente e muito tradicional na fabricação de bocais, não é atoa que lidera a preferência dos trombonistas brasileiros. Depois por que minha experiência pessoal com esse modelo está sendo muito boa. Tanto em naipe quanto solo o bocal é bom sim. Então para quem se adaptar bem será um bom bocal para se usar.

Obs: Não recebo nada da Bach para fazer tais afirmações

E você amigo? Trocou de bocal recentemente? Pretende trocar? Como está sua experiência com o bocal que você usa atualmente?  

Bateu aquela dúvida sobre qual marca ou modelo de bocal comprar?

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Dia de Tiradentes 2017 - BSMDB

Apresentação do dia de Tiradentes com a Banda Salesiana Meninos e Meninas de Dom Bosco.
Regente: Idalmo Santos
Cidade: São João Del Rei MG.



A Banda Salesiana Meninos e Meninas de Dom Bosco se apresentou na comemoração do do dia de Tiradentes (21/10/2017) com um diversificado repertório. O grupo se apresentou no centro de São João Del Rei executando músicas decoradas e criativas evoluções. Para realizar este trabalho os músicos precisam ensaiar muito e ter um bom entrosamento. É essencial o sentimento e a percepção de grupo e de ordem unida.



Atualmente estou tendo a oportunidade de vivenciar duas experiencias diferentes, porém correlatas, de regência: uma banda marcial e uma orquestra de cordas. A banda é a mesma do vídeo que coloquei acima, já a orquestra é o grupo do Conservatório onde sou professor efetivo. Na orquestra tenho desempenhado o papel de segundo regente. O primeiro concerto do ano da orquestra do Conservatório está previsto para dia 02/07 no Teatro Municipal de São João Del Rei MG. Já a banda tem cumprido uma agenda de apresentações mais cheia, atuamos na Semana Santa e também agora na comemoração do dia de Tiradentes.



Trabalhar com diferentes formações de grupos musicais pode ser interessante e tem sido. São repertórios, sonoridade e tradições diferentes. O caminho que recomendo para conduzir grupos assim é o diálogo. Sempre há aqueles músicos (alguns mais experientes que você) que vão ser seus parceiros, se forem ouvidos. Ter o controle de tudo sozinho é desgastante e ineficiente. Por isso saiba identificar os músicos mais proativos de cada naipe e faça bom uso da ajuda deles. Alguns integrantes destes grupos estão naturalmente dispostos a ajudar os colegas, a opinar sobre repertório e até contribuir na disciplina, por isso é importante ouvir o que eles tem a dizer.



No fim das contas o segredo é este, saber falar o que é preciso e saber ouvir o outro, ou melhor, os outros. Se você também rege, comanda ou coordena um grupo musical, ou mais, diz aí como é a sua experiência? Que dificuldades você encontra? Que dicas você daria para um colega na mesma situação? E se você toca em um grupo, como uma banda ou orquestra, o que você espera do maestro (regente) enquanto liderança?

quinta-feira, 6 de abril de 2017

CONCERTO: Orquestra Sinfônica da Unicamp - Concertos internacionais: Música polonesa

Orquestra Sinfônica da Unicamp - Concertos internacionais apresenta: Música polonesa.

Os concertos acontecem na Quarta-feira, 05 de abril de 2017 às 20h no Teatro Castro Mendes em Campinas e na Quinta-feira, 06 de abril de 2017 às 13h na Casa do Lago da Unicamp.
Teatro Castro Mendes - Praça Correa de Lemos, s/n - Vila Industrial - Campinas/SP.
Informações: (19)3272-9359.
Casa do Lago da Unicamp - Av. Érico Veríssimo, s/n - Cidade universitária - Unicamp - Campinas-SP.
Informações: (19)3521-1708.

Entrada:
Teatro Castro Mendes: R$20, R$10 e R$5
Casa do Lago: Entrada franca.




No Programa:
Maksymilan EINERT - Abertura em Ré Maior (1846)
Frédéric CHOPIN - Concerto para piano nº2 em Fá menor (1829)
- Maestoso
- Larghetto
- Allegro vivace

Antoni STOLPE - Scéne Dramatique para violoncelo e cordas (1868)
Tomasz J. OPALKA - Música do filme "Bridging Urban America" (suíte para cello, piano e orquestra) (*versão 2017, em estreia mundial)
- Prologue & Main Title
- No Confidence
- Earthquake
- Crooked River
- Portland
- Mother Helena
- Opening of Broadway
- Huey P. Long
- Epilogue & Credits

Convidados:
Cracow Duo - Kalinowski & Szlezer
Jan Kalinowski, violoncelo
Marek Szlezer, piano

Orquestra Sinfônica da Unicamp
Raphael Delekta, regência


Site: www.ciddic.unicamp.br/noticias_osu.php?cod=77

quinta-feira, 16 de março de 2017

Como tocar trombone




Saudações trombonísticas! Você quer aprender a tocar trombone? Ou já começou a estudar mas ainda tem muitas dúvidas? Então este vídeo é para você.

Nesta aula eu falo sobre:
• Como montar o trombone
• Como segurar corretamente o trombone
• Como emitir som no instrumento e usar corretamente o bocal
• Como guardar o trombone da forma correta

Você sabe quem é o ancestral do trombone? Sabe como surgiram os primeiros trombones da história? Então não perca a curiosidade no final do vídeo!

Ainda tem alguma dúvida sobre os assuntos desta aula?
Este vídeo foi útil pra você?
Você está aprendendo a tocar trombone?
Deixe um comentário aí abaixo.

Professor: Idalmo Santos
Trilha sonora: Trombumba e Duetto III (performance by Idalmo Santos).

Fontes: Método Gilberto Gagliardi para iniciantes e Cadernos Didáticos da Weril.

sexta-feira, 3 de março de 2017

10 músicas dos Mamonas Assassinas que seriam censuradas nos tempos atuais

Há 20 anos os integrantes de uma das bandas mais irreverentes, engraçadas e politicamente “incorretas” que já existiram no Brasil, os Mamonas Assassinas, sofriam um acidente fatal que entristeceu todo o país. Em uma época onde havia mais respeito pela liberdade de expressão e menos mimimi por qualquer coisa que fosse contra a lógica dos “justiceiros sociais” da esquerda, os Mamonas tocavam em todos os lugares: em televisões, rádios, festas de aniversário infantis, escolas e toda sorte de local se ouvia um “Sabão Crá Crá” ou um “mina, seus cabelo é da hora”.



A existência, hoje, de uma banda como os Mamonas Assassinas seria praticamente impossível. Os movimentos pseudo-sociais – uma minoria estridente financiada por partidos políticos irrelevantes que vivem às custas do dinheiro dos pagadores de impostos – formaram um punhado de chorões que reclamam (e são ouvidos pela grande mídia, tomada pelos mesmos partidários da esquerda) por absolutamente qualquer coisa que fuja do que desejam ou do que consideram ideal: de regras privadas (aceitas voluntariamente no momento da matrícula por pais e filhos) numa escola que impedem o uso de shortinhos até nomes de operações da Polícia Federal.

Pensando na diferença de liberdade de expressão daquela época (1995-1996) para hoje, fica claro que praticamente todas as músicas da banda seriam censuradas – muito provavelmente pela Justiça Brasileira, que entende o conceito de liberdade de expressão tão pouco quanto a esquerda mimimista. Dessa forma, reuni 10 músicas dos Mamonas Assassinas que seriam censuradas se a banda estivesse nos palcos hoje:

1406


“Preconceito com os pobres”, “incentivo à opressão capitalista”, “objetificação das mulheres” e “racismo” seriam apenas alguns dos argumentos que seriam usados para censurar esta música. Frases como “a pior de todas é a minha mulher, tudo o que ela olha a desgraçada quer” e “se der uma chuva de Xuxa, no meu colo cai Pelé” seriam estampadas na capa da Carta Capital para mostrar como a elite-branca coxinha-fascista pensa.

Vira Vira


O movimento femimimista iria a loucura com a música, protestando com diversos textões no Facebook. Onde já se viu uma música “incentivar” as mulheres a irem para surubas, terem suas tetas arrancadas por negões e receberem mãos na bunda? O movimento negro também faria sua nota de repúdio informando que negões não arrancam tetas de mulheres.


Pelados em Santos


Um “homi” desejar que estivesse “pelados em Santos” e quer que as mulheres se casem, viajem para o Paraguai e compartilhem “feijão com jabá”? E ainda por cima falar para milhões de pessoas que a mulher te “deixa doidão”? Movimento “chega de fiu fiu” e processinho neles!

Chopis Centis


A xenofobia implícita da música com os nordestinos levaria a ações da OAB e discursos inflamados de políticos locais. Trechos como “eu prefiro aipim” e “a minha felicidade é um crediário das Casas Bahia” seriam temas de vídeos de Tico Santa Cruz e artigos de Gregório Duvivier sobre a opressão do povo do Sudeste por meio da música. Marxistas fariam longas teses que ninguém lê sobre a “fetichismo da mercadoria” implícito na música, o qual obriga os mais pobres a comprarem com crediário nas Casas Bahia.

Jumento Celestino


Aqui a xenofobia da “elite branca paulista” em relação aos nordestinos fica explícita. Leonardo Sakamoto faria longos textos sobre a escravidão do trabalho de boia fria e artistas que vivem às custas do dinheiro dos pagadores de impostos de todo o país, incluindo os nordestinos, fariam um abaixo assinado no Avaaz para que a música fosse censurada por discriminar os migrantes nordestinos.

Uma Arlinda Mulher


Com mais uma óbvia depreciação das mulheres, o movimento femimimista iria à loucura e lançaria o movimento “Vai ter mulher com cabelos no suvaco sim”, com Lola Aronovich encabeçando o movimento. O movimento negro entraria com uma ação na justiça requerendo a retirada do trecho “cabelo pixaim”. A Associação Internacional de Proteção às Borboletas do Afeganistão requereria os direitos autorais sobre a música por ter sido mencionada, enquanto 40 consumidores recorreriam ao Conar para retirar o “merchandising” da música.

Mundo Animal


Os defensores dos animais chamariam a Luísa Mel para fazer uma reportagem repudiando o incentivo à zoofilia no duplo sentido de “comer tatu é bom, que pena que dá dor nas costas”. O National Geographic faria um especial sobre o sexo dos elefantes enquanto o Greenpeace protestaria na porta de um show da banda contra a caça às baleias. O Conselho Tutelar tentaria impedir que a música fosse tocada para menores de 18 anos por conter a expressão “pinto dos elefantes”.

Robocop Gay


Associações de defesa dos LGBTs fariam amplas notas de repúdio sobre a música e beijaços nos shows da banda. Jean Wyllys ficaria um ano falando sobre preconceito contra os gays. O lançamento da música impulsionaria a aprovação do projeto que tornaria homofobia crime hediondo punível com pena de morte e toda a banda seria assassinada pelo próprio Jean Wyllys, vestido de Che Guevara.

Sábado de Sol


Os diretórios acadêmicos controlados pelo PSOL / PSTU / PT fariam maconhaços em diversas universidades, em um sábado de sol, para mostrar à população que os “maconheiros não querem comer feijão”.

Lá Vem o Alemão


O movimento femimimista explicaria como o Mamonas odeia as mulheres fazendo protestos com os seios de fora contra a objetificação das mulheres no trecho “só porque ele é lindo, loiro e forte, com dinheiro e um escort, como um Modess você me trocou”. Os defensores do direito dos animais retirariam suínos de fazendas privadas para mostrar como suínos devem ser tratados.

Brinde: a própria banda

O movimento negro invadiria salas de aula para dizer como o Mamonas Assassinas representava a elite branca que deve ser exterminada enquanto lutaria por cota para negros na banda. O Ministério Público entraria com uma ação na justiça para proibir crianças e adolescentes de entrarem nos shows dada a quantidade de palavrões e o fato de Dinho às vezes cantar de cueca. Luciana Genro falaria sobre como o grande capital financeiro de Guarulhos estaria atuando para acabar com o politicamente correto no país. E o Fantástico faria uma matéria de trinta minutos sobre a relação das músicas do Mamonas Assassinas com o aumento dos casos de xingamentos, bullying nas escolas, machismo, racismo e homofobia usando dados do IPEA.

Para concluir

Os liberais defendem a liberdade de expressão completa e irrestrita, até mesmo daquilo que discordamos. Os Mamonas Assassinas representavam um mar de liberdade de expressão politicamente “incorreta” que foi se perdendo ao longo dos anos no Brasil. Quanto mais restringimos a liberdade das pessoas falarem o que quiserem, mais restringimos a própria vida de milhões de pessoas às regras de um punhado de pessoas que acreditam que podem definir o que todas as outras podem ou não falar. Hoje pode ser censurado aquilo que você não gosta, mas e quando aquilo que você gosta – ou você mesmo – for censurado? Pense nisso.


Presidente do ILISP e empreendedor.